Grandes jogadores que não ganharam a Bola de Ouro: Diego Maradona

Na Copa do Mundo do México 1986, Maradona obtém a consagração máxima, levando a sua Argentina ao título mundial e, na época seguinte (1986-87), arrecada para o Nápoles o seu primeiro título nacional.

Fernando Cardoso
by Fernando Cardoso
 

Considerado por muitos o melhor jogador de todos os tempos, Maradona arrastava multidões aos estádios. No entanto, o seu percurso impressionante nunca lhe valeu o prémio de melhor jogador do mundo. Sim, parece inacreditável, mas o astro argentino nunca conquistou a Bola de Ouro da FIFA.

Nascido em Lanús, Buenos Aires, a 30 de Outubro de 1960, Diego Armando Maradona Franco foi, sem sombra de dúvida, um dos mais talentosos jogadores de todos os tempos.

A facilidade com que ultrapassava os adversários, as mudanças rápidas de velocidade ou de direcção, a forma como rodopiava sem perder o controlo da bola, a enorme capacidade de concretização – em jogada corrida ou de bola parada, elevaram-no ao estatuto de deus entre alguns dos seus conterrâneos.

Foi até fundada a Igreja Maradoniana, tal era a veneração que lhe dedicavam. Qualquer amante do desporto-rei se deleitava ao vê-lo jogar! Conquistou o mundo ainda muito jovem, mas o ponto alto da sua carreira registou-se aos 26 anos, quando carregou às costas a selecção argentina rumo ao Título Mundial, no México, em 1986. No entanto, nesse ano, o prémio de jogador do ano seria entregue ao soviético Igor Belanov.

O início do percurso brilhante de Diego Maradona

Despontou para o futebol aos 9 anos, no modesto Argentinos Juniores e, aos 17, foi chamado a representar a selecção do seu país pela primeira vez. Em 1978 sagrou-se o melhor marcador do campeonato, feito que repetiria nos dois anos seguintes.

Em 1979 foi considerado o melhor jogador sul-americano, tendo repetido a distinção em 1980. Nesse ano levou o Argentinos Juniores ao segundo lugar do campeonato, o melhor resultado da equipa até então.

As verdadeiras obras de arte que realizava com o pé esquerdo, e as multidões que arrastava aos estádios, não deixavam ninguém indiferente, e o Boca Juniors avançou para a sua contratação em 1981.

Concretizava-se assim um sonho de infância de Maradona, que sempre fora adepto do Boca. No primeiro jogo oficial com o novo emblema, contra o Talleres de Córdoba, Maradona marcou por duas vezes, numa vitória por 4-1, perante 65 mil adeptos.

Por entre os jogos oficiais eram realizados muitos jogos amigáveis, para arrecadar receita, ajudando ao surgimento de uma Diegomania. É o próprio jogador que refere, na sua biografia que, naquela altura, nem tinham tempo para descansar, tantas eram as viagens para realizar jogos, oficiais ou amigáveis.

Nesse ano, o Boca arrecadava o título metropolitano, prova que se disputava entre as principais equipas de Buenos Aires e que, à época, era considerado mais importante do que o campeonato nacional. Era o primeiro título da equipa em cinco anos.

Diego Maradona: O caminho para a Glória

Antes do Campeonato do Mundo de 1982 em Espanha, o Barcelona acorda com o Boca Juniors a contratação da sua estrela por um valor record de 7 milhões de dólares e é recebido na Catalunha em apoteose. No entanto, os dois anos que aí permaneceu tiveram altos e baixos, com dificuldade de adaptação, lesões, castigos, desentendimento com a direcção, culminando com a sua venda ao Nápoles, um modesto clube italiano.

Foi novamente recebido como um rei por uma multidão incrédula com a sua contratação. Aliás, o espanto foi geral, uma vez que se falava no interesse do clube mais ganhador em Itália, a Juventus.

Na primeira época o Nápoles não foi além do oitavo lugar, ficando em terceiro na segunda época de Maradona no clube.

Na Copa do Mundo do México 1986, Maradona obtém a consagração máxima, levando a sua Argentina ao título mundial e, na época seguinte (1986-87), arrecada para o Nápoles o seu primeiro título nacional.

Nas duas temporadas seguintes o Nápoles deixa escapar por pouco a oportunidade de voltar a sagrar-se campeão de Itália. No entanto, em 1988-89 conquista o seu primeiro título internacional, vencendo a taça UEFA.

O consumo de drogas levaria ao fim precoce da carreira do astro argentino, que ainda participou no Mundial de 1994 nos Estados Unidos, onde foi afastado de forma duvidosa da prova após apenas 2 jogos devido alegadamente a doping, num caso que fez correr muita tinta.

Na altura, a FIFA e Maradona já tinham protagonizado demasiados episódios que desgastaram o argentino. Foi um final triste para um dos melhores jogadores de sempre, que ainda deixou a sua marca com um golo estupendo no seu último jogo em Copas do Mundo.

Apesar disso, coleccionou uma invejável quantidade de títulos e distinções:

PELO BOCA JUNIORS

1 Campeonato Metropolitano  

PELO BARCELONA

1 Taça do Rei, 1 Taça da Liga Espanhola, 1 Supertaça de Espanha

PELO NÁPOLES

1Taça UEFA, 1 Campeonato Italiano, 1 Taça de Itália e 1 Supertaça de Itália

PELA SELECÇÃO ARGENTINA

1 Campeonato do Mundo, 1 Troféu Artémio Franchi, 1 Campeonato do Mundo de Sub-20 e o Troféu do 75º Aniversário da Taça da FIFA

FOI O MELHOR MARCADOR:

Na Argentina:

Campeonato nacional: 2 vezes

 

Campeonato metropolitano: 3 vezes

Em Itália:

Campeonato italiano: 1 vez

Taça de Itália: 1 vez

PRÉMIOS INDIVIDUAIS

FIFA 100: 2004

Bola de Ouro da Taça do Mundo da FIFA1986

All-Star Team da Taça do Mundo da FIFA19861990

Melhor Jogador do Mundo eleito pela World Soccer: 1986

Onze d’Or: 1986, 1987

Guerin d’Oro: 1985

Melhor Jogador Sul-americano do ano eleito pelo jornal El Mundo19791980

Melhor Jogador do Mundial Sub-20: 1979

Melhor Jogador Argentino do Ano pela Associação de Jornalistas da Argentina: 1979,1980, 1981, 1986

Bola de Bronze da Taça do Mundo FIFA1990

Melhor Jogador do Século XX da FIFA (votos de internautas): 2000

3º Maior Jogador do Século XX pelo Grande Júri FIFA: 2000

2º Maior jogador Sul-americano do século XX pela IFFHS: 1999

5º Maior jogador do Mundo do Século XX pela IFFHS: 1999

2º Maior jogador do século XX pela revista  France football: 1999

Equipa dos Sonhos da FIFA: 2002

Prêmio Olimpia de Oro (Melhor atleta argentino do ano): 1986

The Times – maior jogador da história das Taças do Mundo: 2010

La Gazzetta dello Sport – Melhor Jogador de Todos os Tempos: 2012

Corriere dello Sport – Melhor Desportista da Historia: 2012

Melhor Jogador da Historia pela revista “Four Four Two”: 2017 

Melhor jogador das Taças do Mundo pela revista “Four Four Two”: 2018

Um percurso impressionante que nunca lhe valeu o prémio de melhor jogador do mundo, a conquista da Bola de Ouro da FIFA.

 

Share this article

Leave a comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *