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Após anos de “cautela”, atletas usam plataformas e iniciam era do posicionamento

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7/8/2020 –

Durante anos atletas profissionais se mantiveram ausentes de discussões políticas, porém com a popularidade das redes sociais e constante cobrança do público, cada vez mais atletas se posicionam com relação a temas de desigualdade e políticas.

A união do esporte com a política sempre existiu, desde o pão e circo romano, passando pelas Olimpíadas de 1936, usadas por Adolf Hitler e os nazistas para demonstrar a suposta dominação ariana e tendo no seu auge a Guerra Fria e a disputa Estados Unidos e União Soviética até nas quadras, gramados e ginásios.

Entretanto, essa tentativa de usar o esporte para passar uma mensagem era uma estratégia de grupos, governos e entidades. Hoje os atletas, como indivíduos, estão cientes de seu poder e usam suas plataformas, desde o acesso à imprensa até redes sociais e agências de publicidade para defender causas e promover mudanças. 

E as redes sociais são um dos grandes campos de batalha. Afinal, o público usa as redes para se informar: segundo pesquisa do Twitter Brasil, 70% dos internautas usaram a plataforma para se informar sobre as eleições de 2018.

Toda a exposição e as plataformas que os atletas têm gerou esse “fenômeno”, que é bem recente; tanto que atletas brasileiros de futebol ainda são reticentes quanto a isso. Neymar, por exemplo, é muito mais tímido nesse quesito que outras estrelas, como LeBron James, Lewis Hamilton e até Cristiano Ronaldo. Só para citar um exemplo, LeBron James já doou 41,8 milhões de dólares só em bolsas escolares para crianças carentes mediante sua fundação.

Exceções que confirmam a regra

Até hoje a Democracia Corintiana está no imaginário do torcedor brasileiro. O elenco do Corinthians tinha votações para tomar decisões de forma democrática e um discurso político em plena ditadura militar. O meio-campista Sócrates era o que mais se destacava nesse sentido, posicionando-se claramente na campanha pelas Diretas Já.

A razão para esse time do começo dos anos 80 ser tão lembrado é pelo fato de seu posicionamento ser algo muito raro no esporte nacional à época e até hoje. Em um cenário de polarização, falar sobre política pode gerar discussões acaloradas nas redes sociais ou até em ambientes de amigos e familiares. Segundo pesquisa do Instituto Ipsos, 32% dos brasileiros acreditam que não vale a pena tentar conversar com pessoas que tenham visões políticas diferentes das suas

Por exemplo, Juninho Pernambucano se posicionou claramente contra o então candidato Jair Bolsonaro e posteriormente seu governo. Um jogador de futebol (no caso ex, já que se aposentou há alguns anos) ter se expressado essa questão causou estranheza e gerou repercussão, tanto positiva quanto negativa. 

Infelizmente focou-se muito mais na polarização superficial tão comum hoje em dia do que na mensagem que o ex-jogador de Vasco, Sport, Lyon e Seleção Brasileira quis passar. Com 942 mil seguidores apenas no Twitter, onde é ativo, Juninho não esconde o que pensa sobre a situação política.

 

A discussão é sobretudo mais aparente quando se cria uma dicotomia onde, de um lado estão os extremamente ricos, empresários bem-sucedidos, investidores e clientes de cassino em horas vagas, e, do outro, uma parcela trabalhadora sem condições financeiras que luta pela sobrevivência diária contra a inanição. 

A prevalência de fake news no Brasil governado por Bolsonaro e durante as duas últimas campanhas eleitorais são temas que Juninho comenta com frequência. Para ele, desde 2014, o Brasil enfrenta uma crise política e o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, e a vitória de Bolsonaro, em 2018, são os principais fatores por trás de toda efervescência. 

O caso de George Floyd

O assassinato de George Floyd em Minneapolis em 25 de maio e o movimento Black Lives Matter foi assunto discutido na entrevista do ex-jogador. Mais da metade da população brasileira se identifica como negra e o país teve vários casos semelhantes aos de Floyd, como João Pedro, um garoto de 14 anos morto pela polícia em junho, ou Ágatha Félix, que tinha apenas oito anos quando foi atingida por bala perdida disparada pela polícia em uma favela do Rio em setembro de 2019, e acabou morrendo.

Nos Estados Unidos a comoção foi gigantesca e os atletas tomaram a frente. Muitos participaram de protestos e a NBA – liga americana de basquete – colocou a logo do Black Lives Matter em suas quadras nos jogos que retornaram no dia 30/07, após interrupção por causa da pandemia do novo Coronavírus. Também os jogadores reproduzem palavras de protesto em seus uniformes no lugar de seus nomes.

No país o posicionamento dos atletas é algo comum, assim como a contribuição deles para suas comunidades, com doações, investimento na educação de jovens carentes e pressão aos poderes públicos. Colin Kaepernick, jogador de futebol americano que se ajoelhou durante o hino, em protesto contra o racismo e a violência policial é uma das figuras mais emblemáticas dessa união entre esporte e política. Sem time, depois do final do contrato e com nenhuma outra equipe tendo demonstrado interesse em contratá-lo por causa dos protestos, o quarterback processou a NFL.

Mas isso também é algo recente. Michael Jordan, por exemplo, era considerado um personagem passivo, que não dava importância para questões estruturais, como discutido no documentário sobre sua carreira The Last Dance, do Netflix. Hoje sabe-se que o eterno ídolo do basquete doou milhões de dólares para diversas causas nas últimas décadas.

Atletas brasileiros começam a mudar sua passividade e estão mais presentes nas discussões. Independentemente de suas opiniões ou comportamentos, é importante ter pessoas com voz e alcance a diversos públicos ajudando na melhoria da sociedade.

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